domingo, 13 de maio de 2012



Até que ponto as empresas devem levar em
conta a sustentabilidade?



Marcos Cobra*

Há um discurso de proteção ambiental e preservação de valores sociais, éticos e ecológicos que nem sempre tem sido eficaz para interromper o desequilibro devastador originário de um ganho exacerbado com base em desmatamentos, poluição ambiental e outros deslizes, numa sociedade cada vez mais consumista.

O interesse econômico tem prevalecido em relação à consciência dos malefícios que o uso excessivo e sem controle dos recursos naturais causa à humanidade.

A consciência, se é que ela existe, está focada no pressuposto de que os fins justificam os meios. E, assim, é comum uma cidade aprovar a instalação de uma indústria química poluidora na presunção de que ela gerará empregos para o município. E é muito comum esta empresa poluidora gozar de isenções tributárias e fiscais.
Apesar de isso parecer coisa de antigamente, podemos encontrá-las na mente de políticos e empresários oportunistas e sem escrúpulos.
Hoje, a consciência do consumidor reprova a utilização agrícola do solo com a adoção de agroquímicos, usados para combater as pragas, mas nocivo à saúde humana e ao mundo animal e vegetal quando utilizados inadequadamente. Há ainda o caso das sementes geneticamente modificadas (transgênicas) que permitem uma superssafra agrícola, mas que ainda provocam polêmicas quanto ao seu uso.
E há também questões globais: fatores que causam danos ao clima dos países, como o aquecimento global, têm sido muito debatidos em conferências de clima, como a de Kyoto no Japão. E há países, como os Estados Unidos, que se negam a seguir os conselhos preservacionistas. Mesmo no Brasil, pouca prática existe sobre a adoção da política de cotas de carbono que cada cidadão poderia utilizar na compra de um carro, isso se ele não se dispuser, em contrapartida, a plantar certa quantidade de árvores ao ano.
Na Europa, o anúncio de carros vem com a informação da cota de carbono, que cada comprador deverá dispor para a compra e o uso daquele veículo. No Brasil, os aparelhos elétricos vêm com valores de consumo, com uma etiqueta informando quanto de energia ele consome, se é econômico ou não. Contudo, os institutos de pesos e medidas, muitas vezes, comprovam que as cifras informadas não correspondem ao consumo real daquele aparelho. Isto fere a ética da informação. Além disso, o consumidor brasileiro costuma desprezar informações importantes sobre os produtos, como essas questões energéticas.
Eletrodomésticos terão que ser mais econômicos
Marcas de sucesso, como Brastemp, Consul e Eletrolux, entre outras, terão que modificar seus eletrodomésticos se não quiserem perder consumidores.
“Com a nova classificação de consumo de energia do Inmetro (instituto que mede os desempenhos de produto), aparelhos como geladeiras e condicionadores de ar, que hoje recebem nota A (mais econômico, em uma escala que vai até E), mudam de classificação.”
Hoje, 80% dos eletrodomésticos vendidos no país são nota A. Com o aperto do Inmetro, este número cairia para 40% se nenhum fabricante se mobilizasse para adequar seus produtos. Uma pesquisa do instituto mostra que 78% dos consumidores são influenciados pela classificação na hora de escolher aparelhos. (Folha de S.Paulo, caderno B Mercado, 1/10/2011, p.C1.)
O novo consumidor e o marketing da sustentabilidade
Ainda engatinhamos na preservação dos valores éticos e ambientais e, portanto emergem alguns dilemas empresariais:
– Vale a pena se investir em sustentabilidade?
– Até que ponto o consumidor está disposto a pagar mais por produtos ecologicamente corretos?
– O que se perde em rentabilidade pode ser compensado com o que se ganha em imagem de sustentabilidade?
– Poluir pode ser um bom negócio financeiro?
– Não poluir pode significar redução de lucros, nem sempre compensados com os ganhos na imagem da marca do produto?
Diante de dilemas como esses, muitas empresas retardam a produção de produtos ecologicamente corretos, pois a impunidade pode compensar.
Mas a humanidade caminha na contramão de interesses financeiros de empresas que provoquem danos à coletividade.
É possível que o novo consumidor ainda não esteja totalmente consciente dos seus direitos e dos riscos que a exploração de recursos naturais pode causar à qualidade de vida das pessoas. Porém, cada vez mais, o novo consumidor é esclarecido no que diz respeito ao conteúdo dos produtos, embora ainda se preocupe mais com valores monetários totais. Mas, ele já começa a criar consciência do erro socioambiental cometido por uma etiqueta.
As empresas que não perceberem que os tempos estão mudando, e que isto exige maior comprometimento com a sustentabilidade do planeta, tendem a se transformar em enormes dinossauros, candidatos a extinção.
* Marcos Cobra é professor da Universidad De La Empresa (UDE), Montevidéu, Uruguai; presidente do Instituto Latino-Americano de Marketing e Vendas (Ilam), São Paulo, SP; pós-doutorado na University of Texas System (UTS) Estados Unidos; mestre e doutor em administração de empresas pela Fundação Getulio Vargas, em São Paulo, onde foi professor e chefe do Departamento de Marketing; homenageado no Mkt Best 2011 pela sua contribuição ao marketing brasileiro como professor e profissional.
PUBLICADO NA REVISTA DIGITAL ENVOLVERDE EM 28/02/2012
http://envolverde.com.br/economia/empresas/ate-que-ponto-as-empresas-devem-levar-em-conta-a-sustentabilidade/


sexta-feira, 4 de maio de 2012


Falta muita coisa para a Copa de 2014  

e há oportunidades para todos



A Copa do Mundo de Futebol de 2014 é, provavelmente, um dos melhores pretextos para o Brasil se transformar naquilo que o jargão internacional chama de “uma grande nação”. Segundo Arnold Toybee, historiador inglês costumava dizer: “Um país só se transforma em uma grande nação quando enfrenta um desafio: uma guerra, uma catástrofe, uma grande epidemia...” e... nós acrescentamos, “uma competição de grande porte”.

Na verdade, os problemas são uma grande oportunidade para organizarmos a nossa vida interior e nos tornarmos melhores do que somos como seres humanos. Se costuma ser assim para pessoas, porque não para países? Pois tem sido dessa forma com os países que souberam se aprimorar com base na preparação para grandes eventos, principalmente, esportivos.

Esse fenômeno vem acontecendo há muitos séculos.

Desde meados de 2500 a.C., os gregos faziam homenagens aos deuses, principalmente a Zeus, realizando competições esportivas. Não se sabe exatamente quando o evento se consolidou, passando a acontecer de “quatro em quatro anos, no Peloponeso, na confluência dos rios Alfeu e Giadeo, onde se erguia a cidade de Olímpia que, a partir do ano 776 a.C., cedeu seu nome para aquele que viria a ser a maior competição esportiva em toda a história da humanidade, os Jogos Olímpicos [...], que teve como primeiro vencedor o atleta Coroebus, cingido por uma coroa trançada por folhas de louro, único prêmio e símbolo da maior vitória”.([1])

Desde aquela época, grandes mudanças aconteceram nas cidades. Não foi diferente na primeira Olimpíada dos tempos modernos, em abril de 1896, também na Grécia, mas em Atenas. Também houve a reformulação de Barcelona para a Olimpíada de 1992, a Copa do Mundo de 2010 na África do Sul.

Todos ganham

Os investimentos em infraestrutura privilegiaram não apenas os esportes, mas diversos aspectos das cidades: transportes, hotelaria, turismo, estádios e demais aspectos da urbanidade.

O Brasil prosperou nas últimas décadas e está hoje entre as 10 maiores economias do mundo. Mas, apesar disso, ainda prevalecem os contrastes sociais, a má distribuição de renda com uma miséria típica de país subdesenvolvido. Apesar da diminuição do analfabetismo, ainda grassa em muitas regiões do País o semi-analfabeto, também conhecido como analfabeto funcional, aquele que apenas sabe escrever o nome. A educação é um dos pilares do desenvolvimento social e econômico de uma nação, mas muito ainda precisa ser feito, sobretudo no ensino profissionalizante de segundo grau (aquele que prepara o jovem para o exercício de uma profissão).

Com a chegada da Copa, ainda falta muita coisa: faltam aeroportos para receber a massa de turistas, faltam ofertas de vôo, faltam aviões e companhias aéreas melhor estruturadas, faltam hotéis, faltam hospitais, faltam estradas de ferro e de rodagem. Falta muito... e só não vê quem não quer. Infraestruturar um país é um investimento de médio em longo prazo; e a educação também.

INFRAESTRUTURA

“Brasil é reprovado em infraestrutura” diz título de uma reportagem de O Estado de S. Paulo.[2]

“A qualidade da infraestrutura brasileira é das piores do mundo, mesmo com a arrancada dos investimentos nos últimos quatro anos. As informações são de um estudo inédito da LCA Consultoria, cuja fonte foi o relatório de competitividade 2009/10 do Fórum Econômico Mundial, em Genebra, na Suíça.” A avaliação é feita por empresários e especialistas de cada nação. No Brasil, 181 questionários foram respondidos”.

“Comparado a outros 20 países, com os quais concorre no mercado global, o Brasil ficou apenas na 17.ª colocação no quesito qualidade geral da infraestrutura, empatado com a Colômbia. Numa escala de 1 a 7, o País teve nota 3,4, abaixo da média mundial, de 4,1. A má qualidade das estradas, portos, ferrovias e aeroportos brasileiros não chega a ser novidade. Mas faltava uma comparação internacional que desse uma noção mais clara de quão atrasado está o País.”

“A distância que separa o Brasil das primeiras posições é enorme. A França, que ocupa o topo da lista, teve nota 6,6, seguida de Alemanha (6,5) e Estados Unidos (5,9). Entre as outras nações que deixaram o País na rabeira, estão o México, a China, a Turquia, a África do Sul e o Chile.”  

O único quesito de destaque positivo do Brasil foi a qualidade da oferta de energia. Com nota 5,2 ela ficou acima da média mundial de 4,6. Portanto, a expectativa é de que a Copa de 2014 atraia investimentos governamentais e privados. País deve receber R$ 540 bilhões em investimentos. Resta saber se esse valor será suficiente para minimizar os contrastes entre as rodovias no Estado de São Paulo, padrão superior ao de países mais desenvolvidos, e no Maranhão, por exemplo, com padrões que igualam ao baixo nível de Moçambique.

AEROPORTOS

Há deficiências em diversos deles. Em São Paulo, por exemplo, é preciso construir um novo aeroporto, criar novos terminais e mais uma pista para pouso e decolagem no aeroporto internacional de Guarulhos (Cumbica). O mesmo sucede com Viracopos, na região de Campinas. Sobre o aeroporto de Congonhas, nem se fala: o aeroporto central de São Paulo foi comprimido após o acidente com o avião da TAM, em julho de 2007, e já não comporta a demanda atual, o que se pode dizer da demanda da Copa?

COMPANHIAS AÉREAS

Faltam sistemas operacionais mais modernos e confiáveis, além de mais aeronaves e investimentos em equipamentos e suportes de manutenção. Falta, sobretudo, treinamento de Gestão de Voo para a tripulação. Uma aeronave é apenas uma parte do detalhe de um conjunto importante de uma viagem. O voo precisa ser gerido como um fato em que a “andança seja tão ou mais importante que a chegança”. O voo deve ter um entretenimento a bordo, deve ter pessoas que expressem o “prazer de servir”... É preciso desenvolver novas competências nos tripulantes de voo.

HOTÉIS E NAVIOS

É preciso investimento na construção de novos hotéis nas cidades sede. Antes que ocorra um apagão hoteleiro. Mas, a operação de um hotel deve ser vista como um dos principais desempenhos do teatro da Copa. Será ali que o turista se encontra com a realidade do conforto e do bom serviço. É a “hora da verdade”. Os hotéis, assim como as cidades, devem investir mais em entretenimento. Convenhamos, as quatro paredes de um quarto são de uma chatice de “arrepiar”...

Os antigos hotéis de estâncias climáticas possuíam uma oferta de lazer que hoje é copiado apenas em parte por hotéis fazenda ou pelos resorts mais badalados. Mas falta muito, de infraestrutura hoteleira à magia de um serviço impecável e inesquecível. O nosso parque “Disney” é o Águas Quentes, em Goiás. Ou o Beach Park, em Fortaleza.

Aliás, por falar em água, muitos navios deverão estar mobilizados como hotéis, nas cidades à beira-mar, sedes ou próximas de sedes da Copa. E aí o know-how de entretenimento a bordo já está desenhado.

HOSPITAIS

Com uma massa de turistas externos e internos, o suporte de saúde dessa enorme população flutuante deverá contar com um número de hospitais suficientes para atender a uma eventual demanda emergencial. Serão necessários infraestrutura e pessoal treinado e altamente qualificado, pois, nos momentos imprevistos é que se revelará a verdadeira competência do anfitrião da Copa. Os hospitais, assim como os hotéis, disputam a preferência de clientes e fornecedores, com um marketing equivocado que pressupõe que o serviço é comprado e não vendido.

Os planos de saúde se tornam mais vendáveis na medida em que incluam em sua lista os hospitais mais procurados ou valorizados pela excelência em seus serviços. Mas falta boa gastronomia e algum tipo de lazer para o acompanhante de pessoas enfermas. Afinal, os hospitais nada mais são do que hotéis para saúde.

ESTRADAS

A maioria das nossas estradas não oferece um mínimo de segurança, quer pelo traçado de suas pistas, quer pelo suporte logístico para atendimento de acidentes. Contudo, as estradas precisam oferecer suporte e áreas de descanso, com algum tipo de lazer rápido. Na Flórida, as estradas que levam aos parques temáticos de Orlando, possuem nas áreas de descanso para o viajante, um apreciável cardápio de opções gastronômicas, além de agências de turismo que vendem desde entradas para os parques até um variado número de ofertas de lazer. É copiar o que existe de bom e, se possível, com a criatividade do brasileiro, inovar.

METRÔ E ESTAÇÕES DE TRENS SUBÚRBIO

Alguns trens já circulam com uma programação visual em monitores de TV, mas ainda é pouco. Nas estações, há pouca oferta de lanches rápidos, de serviços de consertos de relógio, saltos de sapato feminino, lavagem de roupa. Quantos serviços podem ser oferecidos nessas estações.

CIDADES SEDE DE JOGOS DA COPA

Será uma oportunidade rara para a cidade ser reinventada. Oferecer gastronomia variada, shows, teatro, cinema de qualidade são apenas algumas das condições para entreter o turista no intervalo dos jogos. Os museus e os pontos de atração turística devem estar renovados e impecáveis. As ofertas devem estar apoiadas em estratégias de marketing que valorizem a oportunidade de “ficar na cidade”.

CIDADES VIZINHAS ATÉ 200 KM DAS CIDADES SEDE DA COPA

Essas cidades devem se tornar competitivas desde já. Precisam “rever o seu cardápio” de ofertas de hotelaria, recantos turísticos, gastronomia e lazer. É preciso inovar, ou seja, é preciso “re-inventar” a cidade.

EDUCAÇÃO

Ensino profissionalizante: guias de turismo, motoristas cicerones, babás, garçons, vendedores, arrumadeiras, cozinheiros e um sem número de pessoas a serem treinadas. Dentre os cursos que ganharão importância, destacam-se: Turismo, Hotelaria e Gastronomia; Varejo e Vendas; Jornalismo, Relações Públicas e Comunicações.

É começar já para estar pronto quando chegar a hora. Porque quem deixar para a última hora vai se dar mal. Serão milhares de pessoas à espera de bons serviços.


REFERÊNCIAS

domingo, 8 de abril de 2012


Estaria em declínio o fluxo do turismo nas cidades estâncias hidrominerais?

  


Quem hospeda o forasteiro hospeda a Deus.
LEONARDO BOFF (*)


Para começo de conversa, algumas questões:
      Uma cidade turística pode ser vista como um produto?
Isso significa que uma cidade ou um destino turístico propriamente dito pode ter um ciclo de vida semelhante ao de produtos e, dessa forma, estar na moda em um momento e, em outro, não ser mais tão atraente e perder público visitante?

      Um produto turístico teria um ciclo de vida semelhante ao de produtos e serviços?
Pode-se dizer então que ele tem um desenvolvimento, um apogeu ou maturidade e uma fase de declínio?

      Poderíamos dizer que uma cidade ou um destino turístico pode ter um ciclo de vida semelhante ao de produtos - surgimento, crescimento, maturidade e declínio?
Uma cidade ou um destino turístico pode promover uma reciclagem, isso se houver investimento em marketing, buscando um novo foco de negócios. E, se preciso for, reinventando o seu conceito.

Um começo voltado para a saúde
As cidades denominadas estâncias hidrominerais e as climáticas tiveram um ciclo de desenvolvimento inicialmente focado em cura: as pessoas procuravam os efeitos medicinais de suas águas minerais ou de seu clima. Ficaram famosas:  São Lourenço, Caxambu, Cambuquira; Águas de Lindóia, Serra Negra, Águas da Prata, Águas de São Pedro, Campos do Jordão.

Hoje se incluem como cidades climáticas quase todo o circuito da Serra Mantiqueira, aonde despontam as cidades paulistas de Santo Antonio do Pinhal, São Bento do Sapucaí, São Francisco Xavier;  as fluminense: Penedo, Itatiaia e Visconde de Mauá; e ainda a mineira  Monte Verde.

Houve um segundo momento em que as cidades estâncias balneárias (estações de água, montanha e litoral), além da cura, se apoiaram em jogos de azar, apelando para os cassinos que ainda hoje florescem em alguns países do Mercosul.  Naquele tempo, havia cassinos famosos no Brasil, como o da Urca, no Rio de Janeiro, referencia por seus shows internacionais. Quase toda cidade de turismo ou veraneio tinha o seu cassino: Poços de Caldas, Santos, Guarujá, Águas de São Pedro, Águas de Lindoia.

Com a proibição do jogo no Brasil nos anos 50, muitas dessas cidades buscaram outras formas de se manterem na moda, tentando evitar o declínio. Passaram então a sediar eventos, congressos, reuniões empresariais; criaram festivais de musica clássicas no inverno e popular ou sertaneja no verão; festivais de cinema, literários, gastronômicos, de teatro, musica popular...

Os melhores exemplos desses esforços são: o festival de musica clássica de Campos do Jordão; o FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty; os festivais de cinema de Tiradentes e o de Gramado, onde também acontece o resplandecente Natal Luz (considerado a maior festa de Natal do mundo).

São destaque ainda as festas populares: as juninas do nordeste, sobretudo em Campina Grande e Caruaru; os carnavais de Salvador e do Rio de Janeiro; as religiosas, como o Círio de Nazaré e a de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil; Festival de Parintins, na Amazônia.

Hoje estamos diante de desafios econômicos e políticos, que exigem coragem, recursos públicos e privados, criatividade e uma boa dose de marketing, para manter o fluxo de turistas não apenas ao longo de um ano, mas de muitos anos, evitando que o destino turístico  entre em declínio.

REFERÊNCIAS
(*) BOFF, Leonardo. Virtudes para um outro mundo Possível,  Volume 1 – Hospitalidade. Editora Vozes. Petrópolis, 2005.

Marcos Cobra é professor da Universidad De La Empresa (UDE), Montevidéu, Uruguai; presidente do Instituto Latino-Americano de Marketing e Vendas (Ilam), São Paulo, SP; palestrante e consultor, pós-doutorado na University of Texas System (UTS), Estados Unidos; mestre e doutor em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas, em São Paulo, onde foi professor e chefe do Departamento de Marketing; homenageado no Mkt Best 2011 pela sua contribuição ao marketing brasileiro como professor e profissional. Autor de Livros como: Marketing de Turismo, Planejamento de Marketing, Marketing de serviços; Sexo & Marketing – todos pela Cobra Editora. <marcos-cobra@uol.com.br>, <http://www.ilam.com.br/>.

sexta-feira, 6 de abril de 2012


O Turismo Como Alternativa Para o    

Desenvolvimento    Econômico


Muitas cidades brasileiras, antes focadas na agricultura e na indústria, hoje dependem de serviços de turismo – seja ele religioso, de saúde, negócios, lazer e outras formas - para sobreviver e prosperar.

 Há casos em que a industrialização tem sido evitada, uma vez que a sustentabilidade impõe restrições a atividades que provocam poluição ou comprometem o uso do espaço.

 No mundo inteiro, as receitas produzidas pelo turismo representam valores inestimáveis para a balança de pagamentos de um país, ou mesmo para um município. Quando um turista visita uma cidade, ele consome uma série enorme de serviços, como alimentação, hospedagem e entretenimento, além de realizar compras que movimentam o comércio local. 

 

E os estabelecimentos que prestam serviços ao turista recolhem, sob a forma de  impostos diretos ou indiretos,  valores apreciáveis que engordam a arrecadação de uma cidade.  O turismo, chamada indústria limpa, que não polui, provoca o aumento do lixo, em momentos de maior afluxo de pessoas. Mas as receitas obtidas nos hotéis, restaurantes, lojas e no setor de entretenimento costumam ser compensadoras, tanto financeiramente, para os detentores do capital, quanto para os trabalhadores, com a geração de empregos.

 

O momento da profissionalização

 

Um turista está sempre em busca de benefícios: não é apenas o que o lugar oferece, por exemplo, em termos de beleza natural. Devemos sempre considerar o que ele espera receber em contrapartida ao investimento que ele realiza: é o que denominamos valor percebido pelo turista. Isso implica dizer que o ônus da aquisição do serviço de turismo não pode superar o bônus da satisfação que o lugar proporciona. Aqui começam as atividades profissionais de marketing de turismo: é preciso conhecer em detalhes o que o turista deseja, o que ele espera do destino que escolheu.

 

A satisfação do turista deve ser a grande meta de qualquer cidade ou destino turístico. Sem o turista de cura e o turista do jogo, ficou difícil, para muitas cidades buscar um novo DNA para sobreviverem.

Algumas buscaram intensamente outras formas de sobrevivência. Uma grande maioria foi tentar a industrialização, sobretudo baseada no artesanato variado, como em couro, cerâmica, porcelana, madeira  ou vestuário, para resgatar um fluxo turístico mínimo para  evitar o declínio acentuado na sua capacidade de gerar caixa e manter em níveis adequados a economia local e a oferta de empregos.

No nordeste, o turismo sexual foi a saída encontrada por algumas cidades para atrair turistas, principalmente do exterior: além de condenável, tem sido uma prática extremamente inadequada que compromete a imagem do país.

Há um fato comum nessas cidades:  pode-se dizer que quase todos os destinos turísticos brasileiros passaram a sediar além de eventos de negócios, também aqueles religiosos, de negócios, congressos e diversos festivais.

A criatividade para atrair o turista foi intensamente posta à prova com festivais: cinema, literatura, gastronomia, teatro, musica clássica e popular e uma série de outros eventos.

Pesquisa


Ainda falta a muitas cidades uma adequada estrutura de marketing para descobrir o que turista quer e espera receber para, a partir daí, desenvolver com eficácia uma oferta sedutora de serviços.
Isso implica investimento em pesquisa de mercado, para identificar o público alvo adequado, segmentando a oferta de produtos em conformidade com a expectativa de consumo.

Porém, só isto não basta: é preciso também posicionar o produto turístico na mente do consumidor. Seja por meio da comunicação tradicional, como revistas, jornais de turismo e televisão; seja por meio das redes sociais.  A criação de pagina no Facebook e manutenção do twiter são atividades nem sempre fáceis, além de exigir muitos cuidados e atenção.

Construir uma imagem leva muitos anos. Portanto, é preciso zelar para que a imagem da cidade não fique arranhada por algum acidente ou incidente. O esforço de construção de uma imagem deve ser diuturno e precisa envolver as comunidades sociais, empresariais e entidades em geral. Todos os eventos que ali se realizam contam pontos, na somatória da imagem do lugar.

De tanto ouvir falar, ver ou ler, o turista vai construindo em sua mente uma visualização do que tem para ver nesse lugar e que nem sempre corresponde à realidade.  E assim, quando o imaginado não bate com o real, surge uma frustração. Ao mesmo tempo, é sempre bom deixar um gostinho de quero mais...  para que ele volte.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Socorro! Eu achei que estava em férias!

O período de férias escolares está se tornando um grave problema social e familiar. O caos nos aeroportos, nas rodoviárias e estradas, nos destinos turísticos, além de comprometer as “justas e merecidas férias”, provoca desgaste nas relações familiares... 

Com o aumento da renda da classe média e com o mercado vivendo situações de alto nível de empregabilidade, cada vez mais e mais famílias estão saindo de casa, em busca de lazer e prazer. E esses grupos de famílias são cada dia maiores. Os destinos turísticos formatados para recebê-los são basicamente os mesmos; tudo agravado pelo fato de o espaço livre disponível nas cidades estar se tornando cada vez menor.

É muita gente querendo viajar ao mesmo tempo, no final de ano e no inicio de janeiro, ou julho, em férias. Isso faz transbordar um dique já cheio até o limite. Os aeroportos são os mesmos e, pelo volume de passageiros, parecem absurdamente acanhados, pois os projetos de ampliação da infraestrutura aeroportuária no País há muito não acompanham a demanda.

Além do mais, os vôos programados para esse período não são ampliados na medida para que possam atender a essa demanda excedente e as companhias aéreas, ávidas para não perderem passageiros, exageram no overbooking permitido (aceitar reservas acima de 30% da capacidade de cada vôo).

Então, os momentos de caos, em que tudo começa a dar errado, se multiplicam. E o caos aéreo leva ao caos rodoviário, pois as pessoas, com medo de passar horas nos aeroportos, se deslocam para rodoviárias e rodovias, sobretudo no período de férias, quando a demanda por lazer se amplia notavelmente.

E o que seria um agradável momento de convivência familiar se transforma num inferno. 

Sofrimento e cansaço

É nas férias que as praias lotam; as  filas se tornam um martírio nos supermercados e shopping centers; nos cinemas, nos restaurantes e bares; e assim em sucessão até nas baladas. Os diversos caos se autoalimentam e se ampliam na medida que, em busca de socorro, os turistas saem para outros meios de transporte e de lazer: como um tsunami, uma avalanche de pessoas sai ao campo com uma fúria consumista a cada ano maior.

Com a classe C se tornando classe média, o fenômeno de demanda por lazer e entretenimento cresceu enormemente.

E o caos rodoviário invade as cidades praianas no verão e as de montanha no inverno; e o turista é obrigado a conviver com o caos.

São estradas cheias em que o transito não flui e chega a parar por horas. E ai, homens e crianças precisam fazer suas necessidades ao lado do carro, no primeiro matinho se disponível. Mas e as mulheres?
Cansado com o stress da rotina diária das principais cidades brasileiras superlotadas e com infraestrutura de transporte saturada, o cidadão no papel de turista, pensa em sair da rotina à procura de algo diferente. Ledo engano: o caos urbano acompanha os cidadãos em suas férias, que eles esperavam serem reparadoras.

Dessa forma, o melhor mesmo seria permanecer em suas cidades, no período em que todos vão em busca de férias.

O caos, que é diário nas grandes cidades, muda de lugar: as cidades de veraneio se tornam verdadeiro tormento na vida das pessoas.

A violência desce a serra contaminando praias ou sobe a montanha, de acordo com a temperatura meteorológica. Ruas lotadas, sem lugar para estacionar; flanelinhas (guardadores de carro) cobrando preços exorbitantes para “tomar conta” do veículo deixado na rua; preços dobrados nos restaurantes, hotéis e passagens aéreas. Enfim, é a hora do “salve-se quem puder”.

Uma solução radical seria o turista inverter suas preferências, indo para a montanha no verão, abrindo mão das praias, e, no sentido inverso, no inverno, procurando a brisa do mar, com praias mais vazias e restaurantes e hotéis com ofertas tentadoras. Por incrível que pareça, tem gente que faz isso: são poucas pessoas, mas elas existem; e olhe que elas conseguem bons momentos de lazer e prazer.

Amenizar o caos, mercadologicamente.

1.  O caos aéreo é pode ser evitado? 

A resposta é sim, claro que pode. Caso contrário, cidades como Nova Iorque, Chicago, Tóquio, Frankfurt, que costumam receber milhares de visitantes em determinados momentos, se tornariam inviáveis. Por que não seguir seus exemplos, aproveitar suas experiências?

Há momentos em que uma boa programação de vôos extras, devidamente escalonados, poderia acomodar melhor o passageiro. Alias, o nome já diz tudo: passageiro... Chamado de cliente por algumas companhias aéreas, esse ilustre cidadão, nesses momentos conturbados,  é tratado como desclassificado (ah!, seguramente, se o Comandante Rolim fosse vivo isso não aconteceria...). O pobre passageiro, responsável pelos salários dos empregados e pelo lucro das companhias, se transforma em mero número na estatística da Agência Nacional de Aviação Civil -Anac e das companhias aéreas. Tem-se a impressão de que, em momentos de caos, seus direitos desaparecem.

Já houve até uma Ministra do Turismo, do governo Lula, que recomendou para enfrentar os percalços do transporte aéreo: “relaxe e goze”... como se o caos possibilitasse algum orgasmo.

O aeroporto brasileiro, que já tem um serviço precário de alimentação e higiene, nos momentos de demanda aquecida, não tem como oferecer, mesmo razoavelmente, o mínimo necessário para matar a sede ou saciar a fome. Com vôos atrasados e cancelados, o turista é levado a um dia de fúria: perde o controle e extravasa sua raiva no primeiro atendente de balcão; e ai a grosseria vai e volta na mesma intensidade.  Agora, imagine isso na Copa do Mundo de futebol de 2014, com um fluxo incrível de turistas que virão acompanhar os jogos!!!!!

Na era do Comandante Rolim, fundador e Presidente da TAM Linhas Aéreas, isso há exatamente uma década, o passageiro era contemplado com serviço de canapés, água, refrigerante e um agradável pianinho, ou um saxofone, tocando musicas calmas na sua sala de embarque. Tudo ajudava a amenizar o cansaço de um eventual atraso ou cancelamento de vôo.  Com a “desrolinização” da companhia, tudo isso foi colocado de lado em nome do corte de custos.

A maneira de contornar o caos já foi praticada com muita magia: basta relembrar alguns bons e raros momentos de uma Varig prestimosa e de uma TAM sedutora na era o Comandante Rolim. Uma das suas frases favoritas, era: “em busca do ótimo, não se faz o bom”... Hoje não se faz, nem o bom... fica-se mesmo no ruim ou péssimo. E lá se foram o prazer e o lazer...

2.  O caos rodoviário pode ser evitado?

Certamente, falta-nos uma política de transporte rodoviário que facilite a circulação rodoviária de ônibus para os destinos turísticos e ajude as empresas a melhorarem veículos e serviços. Isso poderia aliviar as estradas. Bons serviços de transporte nos destinos ou facilidade de aluguel de carros também contribuiriam. Haveria menos carros nas cidades.

Atualmente, quem utiliza ônibus, costuma enfrentar algumas dificuldades. Os celulares têm pontos cegos em diversas rodovias e, portanto, não servem para chamar, ou melhor, para clamar por socorro. Em caso de acidente, não há como pedir socorro, apenas os gestos humanitários é que podem salvar vidas e isso de forma improvisada que pode provocar danos e seqüelas nas vitimas acidentadas.

Mas não é só, as filas intermináveis de carros, ônibus e caminhões revelam que as pessoas não estão preparadas para passar horas, paradas, sem água, comida, ou sanitário. A menos que o matinho esteja disponível e não acanhe as pessoas mais recatadas, sobretudo as mulheres e os idosos. E se houver um farnel a bordo com água e comida. Portanto, se vai viajar não se esqueça de levar água e algo para comer.

Como evitar o caos rodoviário? Vamos pensar juntos:
1.   Talvez, estimulando a busca da estrada fora dos horários de picos, tanto de ida como de volta;
2.   Sinalizando as entradas das estradas com aviso das condições de trafego, morosidade, tempo estimado de percurso e noticiando acidentes que possam retardar o tempo de viagem. Hoje, apenas as rodovias privatizadas oferecem esse tipo de aviso.
3.   Disponibilizando pontos de repouso nas rodovias, como existe nas principais rodovias americanas, com banheiros públicos limpos e lanchonetes variadas e espaço de playground para as crianças e bancos para o idoso.
4.   Impedir que as estradas se transformem em ruas e avenidas, com templos religiosos (no dia 1 de janeiro de 2012, o aeroporto de Cumbica na Grande S. Paulo se tornou inacessível e muitas pessoas perderam vôo em função da inauguração de uma igreja). Ou ainda proibir um comercio que dificulte a circulação de veículos. 

3.  Caos urbano nos destinos

Com a temporada de férias, chegam também  a fila do pão e do leite, congestiona-se tudo que pode ser congestionado. E afinal, o nosso Big Mac é o 4º.mais caro do mundo, só perdendo, segundo The Economist  para Suíça, Noruega e Suécia. Enquanto no Brasil, o Big Mac é vendido por US$ 5,68, nos EUA, ele sai por US$4,20, informa a Folha de S. Paulo de 13 de janeiro de 2012 (Caderno, A).

Há dificuldade de acesso aos principais roteiros turísticos das cidades brasileiras, como o Corcovado no Rio de Janeiro, afora uma série de pontos que não podem ser apresentados, pois, são de difícil formatação, seja pela falta de infraestrutura para acesso, seja mesmo pela ausência de segurança ao turista.

Enfim, é preciso entender que transporte, lazer é turismo fazem a maior parte do bolo do PIB brasileiro, em que serviços representam 67,4%, sendo que o restante, 32,6%, esta dividido entre o PIB da agricultura, 5,8%, e o PIB da indústria, 26,8%, de acordo com o Estado de S. Paulo, de 8 de maio de 2011 (caderno Economia).

Pode ser que a maioria dos legisladores ainda não se tenha dado conta, mas somos hoje um país de serviços. E a nossa infraestrutura sequer contempla um bom desempenho em logística; e os recursos alocados a saúde, segurança e educação não têm correspondido com bons resultados.

Mas o turismo representa uma boa parcela do PIB de serviços, com um desempenho muito concentrado em alguns destinos : São Paulo (1º.), Foz do Iguaçu (2º.) e Gramado (3º.), vindo a seguir Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Fortaleza.

Portanto, é preciso fazer marketing das principais cidades destino do País. Contudo, enquanto os recursos em infraestrutura não saem, é preciso usar uma inteligência mercadológica para suprir deficiências. E proporcionar conforto e segurança ao turista interno e também ao turísta estrangeiro, sobretudo os que virão com a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.

É preciso urgentemente, primeiro, ensinar, e depois, implantar a filosofia do prazer em servir... 

Marketing Best 2011 homenageia o Professor Marcos Cobra




Marcos Cobra foi homenageado no Prêmio Marketing Best 2011, 24ª edição, pela sua contribuição ao setor, como professor e como profissional. De Simoni e jurados cumprimentaram e parabenizaram Marcos Cobra, o autor brasileiro que mais livros de marketing escreveu e um dos professores que mais orientaram teses de mestrado e doutorado no País.

Marcos Cobra completou 35 anos de magistério na FGV, onde se aposentou como professor titular e exerceu algumas funções administrativas: chefiou o departamento de marketing; foi o primeiro coordenador de intercambio internacional: coordenou cursos in door, como para a Academia de Vendas para VW, e o MBA de administração de transporte aéreo para a TAM.

Preside a Associación Latino Americana de Académicos de Marketing (ALAM) e o Instituto Laltinoamericano de Marketing e Vendas.

É professor em cursos de pós-graduação na Universitad de La Empresa (UDE), em Montevidéu, no Uruguai; conferencista e consultor de empresas nas áreas de Marketing, Serviços, Planejamento Estratégico e Vendas no Brasil e exterior.

Entre as muitas homenagens que já recebeu, estão: medalha Brigadeiro Tobias da Polícia Militar de São Paulo; prêmio de melhor livro de negócios na 50º Feira do Livro de Porto Alegre.

PREMIAÇÃO E JURADOS

Marketing Best, o mais importante Prêmio de marketing do País - promovido  pela Editora Referência, através da Revista Marketing, e pelo MadiaMundoMarketing -  homenageia anualmente as empresas e pessoas que, por meio da utilização das ferramentas de marketing, possam ser reconhecidas publicamente por seu desempenho e/ou de seus produtos e serviços.

No dia 01 de dezembro aconteceu a solenidade de entrega da 24ª edição do Prêmio Marketing Best 2011, no HSBC, em São Paulo. O evento premiou as empresas que mais se destacaram no planejamento e execução das estratégias de marketing de seus produtos e serviços. Nesses 24 anos em que é realizado, já premiou mais de 600 cases.

Estas foram as empresas premiadas em 2011 e seus cases:
DI GASPI - Di Gaspi e Atomo: Uma Parceria Que Encanta a Classe C e Multiplica Resultado;  ESPM - ESPM 60 Anos; LEW'LARA / TBWA - Pôneis Malditos; AACD - AACD 60 Anos – Você Faz Parte Desta História; ALPHAVILLE URBANISMO -Alphaville Brasília Residencial 1; ANGELONI - Farmácia Angeloni; BRADESCO SEGUROS - Bradesco Seguros Derruba Conceitos Antigos e Surpreende com Campanha que Cria Novo Paradigma de Seguros no País; CAIXA ECONÔMICA -  FEDERAL - 7º Feirão Caixa da Casa Própria e Mega da Virada 2010; CIA ULTRAGAZ - Revista Ultrafeminina; COPAGAZ - Novo Gás do Futebol Feminino; CSU CARDSYSTEM - CSU Acquirer; HSBC BANK BRASIL - HSBC Premier Piano; MERCEDES-BENZ - Lançamento da Linha 2012; MÍDIA FOODS - Dinner in the Sky; NOVA S/B - Nova/Batata A Primeira Agência Pop-Up Do Brasil; RADIO JOVEM PAN - Dois Diretores em Cena; SANTOS FUTEBOL CLUBE - Neymar Jr: Menino, Ídolo, Marca, Mito. Uma Trajetória em Construção; SBT – SBT 30 Anos.

Este ano, a Comissão Julgadora do Prêmio foi presidida por João de Simoni Soderini Ferracciú, Presidente do Grupo de Simoni e membro da Academia Brasileira de Marketing; e composta por: Jomar Pereira da Silva, Jornalista e Presidente da Associação Latino - Americana de Agências de Publicidade; Francisco Alberto Madia de Souza, Presidente do MadiaMundoMarketing e da Academia Brasileira de Marketing; José Estevão Cocco, Presidente da J.Cocco Comunicação Integrada de Marketing, e membro da Academia Brasileira de Marketing; e Elcio Anibal de Lucca, Presidente da Luccra - Lucro com Responsabilidade e membro da Academia Brasileira de Marketing.

FERNANDO RIOS
Mais informações: www.marketingbest.com.br

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

As muitas demandas do marketing que se prepara para a
Copa de 2014

Nos países em desenvolvimento, costuma ser assim: aquilo que não se fez em 50 anos, tenta-se fazer em quatro, três, dois, um ano...  Parece que está sendo assim: agora, é trabalhar dia e noite para dar conta do recado... Quando deixaremos de ser o país da última hora? Agora não adiante reclamar... Neste momento, a situação é essa. Vamos contar com ela para o que der e vier. E todos de mangas arregaçadas para não fazermos feio.

Mas a Copa de 2014 não está mexendo apenas com a CBF e a gente da bola. Devem estar em apuros, se preparando para o maior evento esportivo mundial que ocorre a cada quatro anos, diversos setores da economia brasileira. Sobretudo, infraestrutura e turismo. Mas não é só. As cidades sedes da disputa e as cidades em seu entorno devem ter começado a pensar na Copa. Na verdade quando o País se candidatou a sediar a próxima disputa, já deveria ter parte de suas obras em andamento. Não foi isso o que aconteceu. E não vamos chorar sobre o leite derramado...

Nosso País carece de aeroportos, estradas confiáveis, transporte urbano, hotelaria, gastronomia, segurança e, sobretudo, de gente qualificada para o grande evento. É preciso trabalhar com um cronograma afiado e rigoroso, para formar pessoas.
Mas não é só: é preciso que as cidades sede e toda a sua volta pensem estratégias de marketing para atrair, reter e surpreender o turista.

Que lazer? O que comer, o que beber? E como?

O Marketing se inicia com uma pesquisa de mercado, para identificar o tipo de público que será atraído pela Copa: sul-americanos, sobretudo, argentinos, paraguaios, chilenos e uruguaios. E os demais países limites do Brasil, quantos peruanos, colombianos, equatorianos, venezuelanos? Qual é o perfil desse consumidor? Sobretudo homens? Qual a faixa etária? Qual é a renda disponível para a Copa, quanto é possível prever de gasto diário por tipo de turista. Aonde eles pretendem se hospedar. Que alimentação e que tipo de entretenimento é preciso oferecer.

E da África quantos virão? Da Europa, da America Central e do Norte. Quanta diversidade de gente e de costumes. O que eles pretendem comer? Não será possível oferecer só feijoada, arroz com feijão tropeiro, churrasco, moqueca de peixe ou camarão, carne de sol e pratos variados da boa cozinha mineira, nordestina, nortista. É preciso saber oferecer também aquilo que a maioria dos turistas está acostumada a comer.

É preciso segmentar o mercado e posicionar os produtos a serem ofertados, na cesta básica do prazer em servir. Esse deve ser o tema do treinamento de garçons, arrumadeiras, motoristas de taxi, policiais, varejistas, médicos, hoteleiros, dentistas, enfermeiros, aeromoças e comissários de bordo e um sem número de profissionais que estarão frente a frente com o turista.

E para isso, é preciso que esse exército de pessoas domine o espanhol, o inglês, o francês e até mesmo o japonês ou chinês.

Infraestrutura e educação

Quatro anos, aliás, passam rápido; três anos, mais ainda! E os investimentos em infraestrutura e qualificação de pessoas exigem tempo. Um estádio leva tempo para ser reformado, que dirá ser erguido. O mesmo se pode dizer de uma estrada ou aeroporto. Mas, fazer a cabeça das pessoas, para moldar novas competências é um trabalho árduo em educação.

Portanto, infra-estrutura e educação são a “bola da vez” da economia de mercado.
Mas também não é só. As carências do Brasil se tornam mais expostas, a partir do desdobramento de necessidades aparentes. É como reformar uma casa: só se sabe quando começa, mas não quando termina. No meio de tantas necessidades, destacamos duas que não costumam estar nas prioridades: os serviços de atendimento, o prazer de servir; e o marketing para as cidades vizinhas às sedes de jogos.

As áreas mais visadas para qualificação acelerada, serão: infraestrutura, varejo, gastronomia, hospitalidade, saúde, segurança, transportes (aéreos, urbanos, marítimos, fluviais, ferroviários etc.), eventos e varejo, entre outros.

As cidades próximas às cidades sede deverão disputar o turista, procurando oferecer bom entretenimento, boa hospitalidade, bons serviços de gastronomia e, sobretudo, ter prazer em servir.

Cada cidade deve buscar seus próprios caminhos, suas estratégias devem ser consistentes com os desafios que ele deverá enfrentar. E a busca da qualificação de pessoas, deve ter como foco: a competência.

E aqui vai um resumo das mais importantes ações de marketing:
1.      Investir em pesquisa para identificar quem será o turista e o que ele deseja;
2.      Conhecer o comportamento do consumidor;
3.      Começar desde já uma campanha de comunicação para “vender” a cidade, destacando seus atrativos;
4.      Formar pessoas e qualificá-las: isso exige recursos e as prefeituras, órgãos públicos e empresas privadas devem realizar imediatamente seus planejamentos, se já não o fizeram, e providenciar as verbas necessárias.